cabanga n. f. Cul. tipo de cerveja tradicional,
oteca,
pombeMoçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, explica que esta bebida é feita de farinha de milho, farelo de milho, água e açúcar, mas que também se pode utilizar farinha de mapira ou de mexoeira.cabedula,
cabedulas n. m. calções
O dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo e concorda com Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, sobre a etimologia da palavra: vem do nhanja kabudula, “id.”. A obra de Lopes, Sitoe e Nhamuende refere que a palavra era muito usada no período colonial.cabritismo n. m. apelo à corrupção ou aceitação de ser objecto desta; num sentido alargado, aceitação de qualquer fraude, participando directamente nela ou fechando apenas os olhos, para obter proveitos pessoais, normalmente materiais; extorsão
A palavra vem de um provérbio, “O cabrito come onde está amarrado”. Lopes, Sitoe e Nhamuende explicam que se trata de uma tradução literal de um provérbio changana.
cabrito n. m. Zool. qualquer caprino, jovem ou adulto
Em Moçambique, cabrito é a palavra não marcada, como em português europeu é cabra.cacana n. f. Bot. Planta,
Momordica balsamina, usada para a alimentação e para fins medicinais, sobretudo em infusão
O dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo, definindo cacana como “planta trepadeira cujas folhas e frutos são comestíveis”. Segundo este dicionário, a palavra cacana vem do ronga nkakana. No Brasil, a planta é designada como balsamina de purga.
cacanacacata adj. e n. Fam. agarrado ao dinheiro; pessoa agarrada ao dinheiro, avarento, forreta, sovina
O dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo, com este mesmo significado e fá-lo derivar do changana kakata, “id.”.cafre n. e adj.,
cafreal,
adj. Hist. 1. designação genérica dos povos nativos da África Austral; relacionado com estes povos
2. (sobretudo no séc. XX) Muito ofensivo, com conotações fortemente racistas negro, em geral; bárbaro, rude, selvagem (do árabe
kafir, “infiel”)
A história das palavras cafre e cafreal é complexa. Cafre é usado desde muito cedo, amalgamando os povos nativos da zona. A palavra foi adquirindo conotações muito racistas e muito ofensivas e, ainda durante o período colonial, o seu uso foi desaparecendo. Muitos dicionários assumem que a palavra designa de facto uma etnia e a sua língua, o que não é correcto. Curiosamente, hoje em dia, há uma expressão em que, na minha experiência, essa conotação não se mantém, talvez porque se tenha já perdido a consciência da sua origem: galinha à cafreal. Lopes, Sitoe e Nhamuende, na sua obra Moçambicanismos dizem o mesmo: “Apesar do contexto em que começou a ser utilizado, o termo cafreal na expressão galinha à cafreal, há muito utilizada, não tem tonalidades semânticas depreciativas; significa, sobretudo, o modo local de preparação da ave e o tipo de temperos usados, em particular o piripiri” (Agradeço a Margarida Castro, que chamou a atenção para o facto de a palavra merecer ser considerada um moçambicanismo, por ter aparecido como palavra portuguesa, nesta parte do mundo). cafurro n. m. casca do coco, usada como lenha
calamidades n. f. p. roupa em segunda mão,
xicalamidades (de “donativos para apoiar as vítimas das calamidades naturais”)
camisete n. f. Vest. camisola de manga-curta, t-shirt
campainhar v. i. tocar à campainha
cana (doce) n. f. Bot. plantas do género
Saccharum, especialmente
Sachharum officinarum, cana do açúcar
Como a palavra cana não se usa para referir outros tipos de cana (usa‑se bambu), não há confusãocaneco n. m. (
f.?,
adj.?) goês; de ascendência goesa
Não se trata de um moçambicanismo em sentido estrito, mas é muito provável que, actualmente, a palavra se use muito mais em Moçambique do que noutros países de língua portuguesa, e é isso que justifica a sua inclusão neste glossário. O dicionário Porto Editora regista o termo como sinónimo de canarim e, portanto, com o sentido mais abrangente de “pessoa natural da antiga Índia portuguesa”. Em Moçambicanismos, Lopes, Sitoe e Nhamuende dizem que caneco se usa “para designar o natural de Goa (indiano cristão) ou os seus descendentes”, e chamam a atenção para “uma certa conotação depreciativa” do termo. Estes autores discutem ainda a etimologia da palavra, propondo duas possibilidades, ambas do tamil: kanakapilei, “escrivão, contador, gerente, administrador” ou kanakan, “membro de uma casta do Malabar”.canfumo n. m. chefe tradicional, abaixo de um
samassuacanganhiça n. f. aldrabice; batota; trabalho mal feito
O dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo, considerando-o de origem ronga (de kanganyisa). Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, diz que a palavra é comum a várias línguas do Sul.canhar v. t. (alguém canhar alguma coisa ou alguém)
Fam. dar pancada em; (fig.) dar cabo de aleijar, magoar; (fig.) estragar, destruir
Tanto o dicionário Porto Editora como o dicionário Priberam online registam canhar como o sentido de “varrer com canho”, sendo que canho é uma “vassoura feita de codessos”. Por muito que a ligação entre “varrer com uma vassoura” e “bater, estragar” seja fácil de estabelecer, parece-me altamente improvável que seja essa a origem da expressão. Lopes, Sitoe e Nhamuende, em Moçambicanismos, têm uma entrada khenhar ou quenhar, palavra com origem no ronga kukhenya e com o significado de “dar caneladas” e, por extensão “prejudicar o próximo nos seus intentos” . Parece-me certo, então, que a expressão que eu ouvi coincide com esta, com uma pronúncia ligeiramente alterada – ou então eu ouvi mal. É possível que o significado se tenha alargado ainda mais, ou que eu não tenha compreendido a expressão com exactidão, das vezes que a ouvi.canho,
canhoa n. f. Bot. fruto do
canhoeiro,
Sclerocarya birrea (ou
caffra),
ocanho (do
ronga nkanye, segundo [PM])
O dicionário Porto Editora regista canho como moçambicanismo, também com este significado. A etimologia é diferente da apresentada em PM: o changana kanyi. O mesmo dicionário regista para a forma canho um segundo significado, o de bebida preparada com este fruto, “usada nas festas e em memória dos antepassados”. É deste fruto, conhecido nos países vizinhos como marula, que se faz o conhecido licor Amarula.canhoeiro n. m. Bot. tipo de árvore,
Sclerocarya birrea (ou
caffra),
ocanheiro (ver
canho para discussão da etimologia)
O dicionário Priberam online regista canhoeiro, definido como “árvore de cujo fruto se extrai uma bebida usada em cerimónias tradicionais no Sul de Moçambique”.
canhoeiro e canhocaniço n. m. parte periférica de uma cidade em que predominam as construções de materiais precários (por oposição a
cimento),
bairro (de bairro de caniço)
caniço africano n. m. Bot. Phragmites mauritianus [CVP]
canimambo ? obrigado/a
A grafia mais comum é com k (que é a proposta em Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende), que não registo aqui por estranha à lógica da ortografia portuguesa. O Dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo também com c. Estes dois dicionários dão a palavra como sendo um empréstimo ao ronga, propondo o dicionário da Porto Editora que o étimo último seja o chona “i khani mambo”, literalmente “danço para o mambo”.
cantina n. f. loja geral, botica
cantineiro n. proprietário de uma cantina, lojista (de
cantina)
capenta,
peixe-capenta (muitas vezes grafado
kapenta)
n. m.? Zool. espécie de peixe pequeno de água doce,
Limnothrissa miodon, que foi introduzido na albufeira de Cahora Bassa e que aí é pescado em grandes quantidades
capentacapere pequeno n. m. Bot. tipo de erva,
Paspalidium geminatum [CVP]
capim arroz,
capim arrozeiro n. m. Bot. tipo de erva daninha,
Echinocloa corona,
deolinda,
falso arroz [PD]
capim de hipopótamo n. m Bot. tipo de erva,
Ischaemum fasciculatum [CVP]
capim digitada n. m. Bot. tipos de ervas da espécie
Digitaria,
pulseira de menina [CVP]
capim do Chire n. m. Bot. tipos de ervas da espécie
Urochloa (de Chire, topónimo) [CVP]
capim do Limpopo n. m. Bot. tipo de erva,
Echinochloa pyramidalis (de Limpopo, topónimo) [CVP]
No Brasil, é conhecida como canarana.capim elefante n. m. Bot. tipo de erva,
Pennisetum purpureum [CVP]
Não é designação exclusiva de Moçambique, mas parece antes tratar-se de uma designação geral em português.capim espiga de prata n. m. Bot. tipo de erva,
Imperata cylindrica,
capim pluma de prata [CVP]
Encontrei as designações brasileiras de barão-vermelho e grama cogan.capim estrela n. m. Bot tipo de erva,
Dactyloctenium aegyptium [CVP]
Encontrei as designações brasileiras de capim-mão-de-sapo, capim-calandrini, capim-pé-de-galinha e pé-de-galo.capim niapa n. m. Bot. tipo de erva daninha,
Rottboellia exaltata [PD]
Encontrei a designação brasileira de capim camalote.capim parte-enxada n. m. Bot. tipo de erva,
Panicum maximum [CVP]
Encontrei várias designações brasileiras relacionadas com a Tanzânia (capim massai, capim tanzânia, capim mombaça).capim pé de galinha n. m. Bot. tipo de erva,
Eleusine indica,
naxenim bravo [CVP]
Capim pé de galinha parece ser também um dos nomes comuns da planta no Brasil.capim pluma de prata n. m. Bot. tipo de erva,
Imperata cylindrica,
capim estrela de prata [CVP]
capim rosália do areal n. m. Bot. tipo de erva,
Eragrostis ciliarisEncontrei variadíssimas designações brasileiras: capim mimoso, capim penacho, capim de rola, capim de canário, capim pelo de rato…capinar v. t. tirar o capim, sachar, mondar
capulana n. f. Vest. pano usado principalmente como saia ou para levar os bebés às costas
O termo capulana aparece registado como moçambicanismo no dicionário Porto Editora e no Priberam online. Este último define-o como sendo um “pano de que os indígenas de Moçambique se servem para cobrir o corpo desde a cintura até aos joelhos”. A definição não é correcta: a capulana, pelo menos actualmente, é usada em público apenas por mulheres (há homens que a usam, mas só em casa) e, quando usada como saia, cobre normalmente a perna abaixo do joelho. A definição do dicionário Porto Editora é melhor: “pano que se coloca à volta da cintura e chega abaixo dos joelhos”. É de notar, porém, que a capulana tem muitos outros usos. A origem proposta (do landim kap[u]lana, “id.”) concorda com a da página Capulana da Wikipedia em português, onde se diz que a palavra capulana é de origem tsonga (landim é uma palavra antiga para designar os povos do sul de Moçambique, tsuas, changanas e rongas, que se agrupam sob a designação de tsonga) e com a de Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende (ronga kapulana).caracata n. f. massa de farinha de mandioca
caril n. m. Cul. comida que acompanha a massa, geralmente um molho; molho (de caril,
“mistura de temperos asiática”, de origem controversa)
O moçambicanismo está registado no dicionário Porto Editora, mas com uma definição incorrecta: “molho feito com leite de amendoim, castanha ou coco” (presume-se que castanha seja aqui castanha de caju...). Na realidade, caril tanto pode designar um molho de qualquer tipo, até uma simples tomatada, como apenas folhas cozidas em água – tudo o que acompanhe a massa.carregar v. t. ou com dativo. levar (também pessoas) (“eu carrego-lhes para casa”)
Além dos sentidos habituais fora de Moçambique.casquete n. f. Vest. boné de uniforme (do francês
casquette, “boné”)
Deve tratar‑se não de uma importação recente, mas de um arcaísmo, digamos assim, já que a palavra francesa foi usada em português, tendo depois o seu sentido evoluído em português para o que se encontra nos dicionários, de “barrete sem pala”. Em Moçambique (e não sei se em mais algum lado) conserva o significado francês original, com a restrição de se aplicar apenas a bonés de uniforme.castanha (de caju) n. f. Bot. semente do cajueiro,
Anacardium occidentale, (castanha de) caju
A não existência de castanhas anula a possível confusão, sendo castanha a designação normal de “caju”.castanha de Inhambane n. f. Bot.
Telfairia pedataEncontrei também online a designação aboboreira de Inhambane.catanar v. t. (alguém catanar alguma coisa ou alguém) cortar com catana; agredir com catana
catchaço n. m. Cul. bebida destilada, aguardente,
tontonto (de cachaça, adaptado à fonética das línguaa bantas?)
catorzinha n. f. (adj.?) rapariga muito jovem encarada como objecto sexual.
Se defino de uma maneira vaga a expressão é porque, de facto, ela tanto se pode usar para uma prostituta muito jovem, como para uma namorada muito jovem, como apenas para uma rapariga muito jovem que se acha sexualmente atraente. Uma expressão triste, que dá conta de um fenómeno muito mais triste do que ela...cavalo n. m. camião cuja cabina é independente do(s) atrelado(s)
cereja silvestre n. m. Bot. Dovyalis hispidula e
Dovyalis longispina [LP]
chambocar, chamboquear 1. v. t. (alguém chambocar alguém ou algum animal) bater com chamboco; açoitar; chicotear; vergastar
2. v. i. estudar muito, marrar (de
chamboco)
chamboco n. m. instrumento para bater em pessoas, chicote, cavalo-marinho; vara; pau; (prov. do afrikaans
sjambok, do urdu
chabuk pelo malaio
samboq ou
chambok).
chamuar,
xamuar n. amigo/a
O dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo e afirma que tem origem no sena xamwar, “id.”(contribuição de Alda Martins, Portugal).chanfuta n. f. tipo de madeira rija,
Afzelia quanzensis
chanfutachangana adj. e n. grupo étnico de Gaza e Maputo; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua
changane n. m?. Zool. espécie de pequena corça,
Neotragus moschatus (do
tsua changane ou do
ronga e
cópi xlhengane)[CVM]
changane
chango n. m. Zool. tipo de veado,
Redunca arundinum (de várias línguas moçambicanas,
changana xlhango e
changu,
ronga xlhango e
hlangu,
cópi xlhango,
tsua chango) [CVM]
changochango-da-montanha n. m. Zool. Tipo de
chango,
Redunca fulvorufula (do
ronga hlangu)
chapa (cem) n. m. ou f. transporte semi-colectivo, semi-formal; por extensão, qualquer automóvel que transporte pessoas a troco de algum dinheiro (de chapa, “preço único”, de cem meticais)
fazer chapa: cobrar dinheiro pelas boleias que dá nas suas deslocações (“quando vai a Nampula comprar material, o Faustino faz sempre chapa”); usar um automóvel como chapa (“ele anda a fazer chapa com o carro da companhia”)
chegar v. i. ir (“já chegaram lá naquele restaurante novo?”)
cheua adj. e n. grupo étnico de Tete; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua
chibalo n. m. Hist. trabalho forçado
chibante adj. e n. bonito, bem arranjado, estiloso; beleza, pessoa bonita
Segundo Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, o termo é de origem sena.
chicunda n. Hist. escravo soldado ao serviço de um
prazeiroOs chicundas acabaram por se tornar um grupo étnico à parte, com as sua própria língua, trajes e tradições, e especializaram-se, como homens livres, como carregadores e remadores nas viagens no Zambeze. A etnia não sobreviveu muito tempo ao desmantelamento do sistema de prazos, tendo acabado por desaparecer. Para informação detalhada sobre chicundas, ver Escravos, esclavagistas, guerreiros e caçadores. A saga dos chicundas do vale do Zambeze, de Isaacman, Allen e Barbara Isaacman (Maputo: Ed. Promédia, 2006, tradução de António C. Barradas de Slavery and beyond – The making of men and Chikunda ethnic identities in the unstable world of South-Central Africa 1750-1920)chima n. f. Cul. papa de farinha e água, usada como acompanhamento,
massa,
sadza,
úchuaO dicionário Porto Editora regista o moçambicanismo e define chima como: “1. prato à base de farinha de mandioca e de cereais” e “2. alimentação fundamental dos macuas (do macua eshima, “id”)”. Há aqui várias incorrecções: A chima não é um prato, a não ser que se considere um prato batatas cozidas, por exemplo – é um acompanhamento de muitos pratos. A chima também não é de farinha de mandioca e cereais, mas sim de farinha de mandioca ou de farinha de milho ou de farinha de mapira (e, pelo menos na Zambézia, a massa de farinha de mandioca tem um nome especial, chama-se caracata). A segunda definição não é independente da primeira: a chima que é “a alimentação principal dos macuas” é o tal “prato à base de farinha”. Além disso, a chima não é mais alimento de base dos macuas do que de todo o resto da população da África subsaariana. Finalmente, é discutível que o termo chima seja de origem especificamente macua, já que palavras que lhe poderiam ter dado origem existem em várias línguas da região (Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, refere, além da língua macua, as línguas sena e nhúnguè). Pode bem ser, como matope, um termo que tem origem numa pluralidade de línguas aos mesmo tempo. O dicionário Priberam online também tem uma entrada chima com uma incorrecção: refere-a como angolanismo (que eu não digo que não seja, não sei…), sem a referir como moçambicanismo. Noto de passagem que o mesmo dicionário dá funge como sendo, ao mesmo tempo angolanismo e moçambicanismo e a palavra não se usa em Moçambique.chipene,
xipene n. m. Zool. espécie de corça, do género
Raphicerus (
campestris ou
sharpei) (do
tsua e do
ndau xipene) [CVM]
chipenechona adj. e n. grupo étnico do Zimbábuè; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua
A grafia corrente é shona; adopto chona apenas porque sh não existe na escrita portuguesa. Embora muitos linguistas e antropólogos considerem um grande grupo linguístico chona, de que as línguas faladas em Manica e Sofala seriam variantes dialectais, as pessoas locais tendem a distinguir chona (falado no Zimbábué) destas línguas.chuabo adj. e n. grupo étnico da Zambézia; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua (de
chuambo)
chuambo n. m. Hist. tipo de fortificação do séc. XVII, paliçada,
mussito (séc. XVIII),
aringa (séc. XVII) [HM]
chuanga n. m. Hist. intérprete, mediador [Não sei qual foi a fonte, esqueci-me, pelos vistos, de anotar].
Tanto o dicionário Porto Editora como o Priberam online registam o moçambicanismo, como três acepções diferentes: “1. medianeiro entre contendores; 2. intérprete; 3. escravo de enfiteuta”, sendo que enfiteuta se deve aqui, creio eu, entender como prazeiro. Em http://www.poshistoria.ufpr.br/documentos/2006/Joserobertobportella.pdf, José Roberto Portella descreve o chuanga como “representante do prazeiro junto ao fumo”. É provavelmente esta a definição que cobre as outras três…chuínga n. f. pastilha elástica (do inglês
chewing gum, “id.”, literalmente “goma de mascar”)
chunga moio n. m. mercado informal, na Beira,
dumba nengue, nas outras zonas do país (expressão
ndau, “aperte o coração”=seja valente)
cimento n. m. parte central de uma cidade, muitas vezes correspondente à cidade colonial, que tem só edifícios de tipo europeu, por oposição a
caniço ou
bairros (“ele agora está a morar no cimento”)
cinquentinha n. f. motorizada de 50 cm cúbicos
cocone n. m. Zool. boi-cavalo,
Connochaetes taurinus [AM]
coconecocuana n. m. idoso
Segundo Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, a palavra kokuana é comum ao changana, ao ronga e ao tsua.cofió [còfió]
n. m. Vest. chapéu muçulmano (do árabe
keffya,
kufiyya, talvez do latim tardio
cofia,
cofea, “capacete”)
O dicionário Priberam online regista o moçambicanismo, que define como “barrete usado pelas tropas indígenas”. Está seguramente a referir-se ao chapéu dos sipaios do tempo colonial, mas a verdade é que o cofió não é só chapéu de sipaio. Muitos muçulmanos usam cofió.
homem com cofiócolateral n. m. garantia (para um empréstimo bancário) (do inglês
collateral, “id.”)
cólmane n. m. caixa térmica, geleira (de Coleman ®)
colono n. m. Hist. camponês africano livre na área de um prazo,
mussenze [HM]
concho n. m. pequena embarcação escavada canoa, piroga (de concho, “recipiente para líquidos escavado em madeira”?) [MC]
Tanto o dicionário Porto Editora como o dicionário Priberam online registam o moçambicanismo. O dicionário Porto Editora propõe a mesma etimologia que eu conjecturei…concunhada,
concunhado n. irmã(o) da cunhada ou do cunhado
Trata-se provavelmente não de um moçambicanismo, mas de um arcaísmo, conservado em Moçambique. Eu sei que primo vem de “primo (= primeiro) coirmão”, que vi muitas vezes em textos medievais, tendo o coirmão, que era a palavra que de facto significava primo, desaparecido. Nunca vi nem ouvi concunhada, concunhado, consogro ou consogra fora de Moçambique, mas o facto é que são formas registadas nos dicionários.congolote n. m. Zool. animal com muitas pernas, da classe
Diplopoda [MC]
Tanto o dicionário Porto Editora como o dicionário Priberam online registam o moçambicanismo, como o faz aliás a entrada Diplópode da Wikipedia em português. O dicionário Porto Editora propõe uma etimologia: o changana khoagoloti.consogra n. f. mãe do genro ou da nora (ver comentário em
concunhada,
concunhado)
consogro n. m. pai do genro ou da nora (ver comentário em
concunhada,
concunhado)
conto n. m. mil meticais antigos = um metical novo (de conto [de reis], “mil escudos”)
De mil meticais da nova família, introduzidos em Janeiro de 2008, e que valem, cada um, 1000 meticais antigos, não se diz um conto, diz-se um milhão (de meticais antigos, claro está…).contraparte adj. e n. Desenv. pessoa ou instituição a trabalhar directamente com o cooperante ou a organização de cooperação e ao mesmo nível (do inglês
counterpart, “id.”)
cópi adj. e n. grupo étnico de Inhambane e Gaza; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua
corta-mato n. m. caminho mais curto que o caminho principal, atalho
cotação n. f. previsão do custo de um trabalho, orçamento (aportuguesamento do inglês
quotation, “orçamento (de um empreiteiro, por exemplo)”)
cóti adj. e n. membro de um grupo étnico da Zambézia; a sua língua; relacionado com este grupo étnico ou com a sua língua
cucunha n. m.? massivo? coco muito pequenino
culimar v. t. trabalhar a terra, cultivar; cavar
Segundo Moçambicanismos, de Lopes, Sitoe e Nhamuende, a palavra tem origem em palavras semelhantes em várias línguas da região, nomeadamente o chuabo kulima. Também só a ouvi na região de Quelimane. Segundo alguns, o nome da cidade Quelimane estaria relacionado com esta raiz banta, mas trata-se de uma asserção que nunca consegui confirmar.
curativo n. m. chamada de atenção, descompostura, descasca (“ele estava a abusar, tive de lhe dar um curativo”)
curva n. f. Hist. pagamento feito pelos portugueses ao Monomatapa (do
chona (antigo?)
kuruva, “id.?”) [HM]
O dicionário Priberam online regista a palavra nesta acepção, sem a considerar moçambicanismo e definindo-a como “tributo cafreal”.cut [cát, cât] adj. Calão que está sob o efeito de estupefacientes ou de álcool, bêbedo, drogado (termo de calão britânico que significa “bêbedo”)Contribuição de Miguel, Maputo.